Entregas especiais...
Sempre gostei da parábola do jovem rico... Como ele, também eu queria dar mais, seguir Jesus. Mas, como ele, faltava-me também dar tudo o que tinha. Comecei a perceber que além de objectos a mais, tinha também sentimentos, alegrias, pensamentos que não partilhava. Resolvi que queria dar mais... Resolvi fazer uma viagem e, ao preparar-me, decidi fazer uma pequena experiência. Dei alguns objectos que gostava a algumas pessoas que faziam parte da minha vida. Comecei com coisas que me custavam menos...
Impressionante a quantidade de objectos que amontoamos na nossa vida. Comecei a perceber que muitas das coisas que possuía... Acabava por não usar verdadeiramente. Tinha lido um livro, mas depois acabou por ficar arrumado na prateleira. Comecei a perceber que era grande o gosto que tinha em possuir coisas. Comecei a perceber que, à medida que dava algumas coisas, as pessoas ficavam felizes... E eu sentia que o objecto estava a ser bem utilizado, finalmente. Vi que realmente as coisas só fazem sentido quando são partilhadas. Se não partilharmos, a informação acaba por ficar fechada em nós mesmos. E que interesse tem isso? Terminei as minhas "entregas" com objectos que me eram mais preciosos. Fazia entregas mais personalizadas, porque sabia que determinada pessoa gostava de algum objecto que tinha (mala, bolsa) e entregava-lho especialmente. O engraçado é que estes objectos que os outros mais admiravam, eram também aqueles que eu mais gostava e que guardava mais religiosamente, ou que andavam sempre comigo. Dei comigo a pensar entregar o meu "objecto" mais precioso: a minha Bíblia. A minha Bíblia estava sublinhada, cheia de marcadores que me iam oferecendo. A minha Bíblia contava o meu percurso de fé, viajava sempre comigo, estava sempre por perto. A minha Bíblia falava-me de esperança, de coragem, de verdade, de ousadia, de amor. Talvez por isso tenha pensado. Porque não entregá-la também? Entreguei-a a uma grande amiga minha, com quem tenho uma bonita amizade, mas com quem tenho falado menos, ultimamente. Ela ficou surpreendida. Percebeu a importância que a Bíblia tinha para mim. Disse que não podia aceitar. Eu disse que queria dar-lha realmente. E dei.
Vim para casa... Sentia-me tão feliz... De vez em quando dava por mim a pensar... "Olha que parvoíce, dar assim a minha Bíblia". Mas, depois, vinha sempre uma alegria, uma certeza. A verdade é que essa minha amiga começou a dar mais uso à Bíblia e estamos mais presentes na vida uma da outra. E verdade é que eu não sei ao certo a importância que teve ou terá esta minha entrega. A verdade é que sinto que esta simples entrega pode mudar tanta coisa...
Partilho esta história com vocês... Não para nos metermos a dar coisas a torto e a direito. Aliás... Qual seria o sentido disso? Na minha vida, houve uma razão maior pela qual fiz o que fiz. Mas, foi uma experiência tão diferente, que me levou a reflectir tanto, sobre tanta coisa... E convido-vos a reflectir sobre o mesmo. Porque será que acumulamos tanta coisa, dentro das nossas casas e dentro do nosso coração? Porque é que não entregamos e partilhamos o que temos e sentimos? É difícil "perder" alguma coisa. É difícil pensar que podemos vir a precisar ou que fica melhor guardado connosco. Desafio-vos a experimentar... Será que poderíamos partilhar alguma coisa nossa, esta semana? Poderá ser um objecto que faça sentido para alguém, um sentimento que está no nosso coração há tanto tempo, um gesto de carinho, uma conversa com algum desconhecido. Inicialmente... Vai fazer-nos confusão. Temos sempre... receio. Mas... O que acontecerá depois? O que acontecerá se ousarmos entregar-nos? O que será que acontece se começarmos a plantar o amor, por aí?
Vamos experimentar?
Acreditem... muitas vidas podem começar a mudar ☺




